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domingo, 15 de maio de 2011

A TRAGÉDIA DA BALSA NO RIO IGUAÇU

A TRAGÉDIA DA BALSA NO RIO IGUAÇU


19 de setembro de 1973, quarta-feira 18 horas, as águas do Iguaçu tingiram-se de sangue. Trabalhadores e viajantes foram vitimas de uma tragédia que abalou toda a região do oeste e sudoeste do Paraná, trabalhadores da construção da barragem de Salto Osório que usavam a balsa, com destino as suas casas,
nas imediações de Cruzeiro do Iguaçu foram às vitimas com a tragédia do afundamento da balsa.
Não se sabe ao certo, mas segundo informação colhida de fontes confiáveis foram 40 (quarenta) mortos dos 70(setenta) que ocupavam a embarcação.
Como foi que tudo aconteceu? A construção da Usina Salto Osório, iniciava a construção em meados de 1970, com o desvio do leito original do Rio Iguaçu a movimentação de trabalhadores vindos de todo o lugar era grande.
Campo Novo na época hoje Quedas do Iguaçu vivia momentos de euforia, a movimentação de pessoas no município era alarmante, gente que veio de todas as partes do Brasil, misturava-se com os Quedenses, unindo forças e técnicas, para construir a Usina de Salto Osório no Rio Iguaçu.
A balsa que transportava 70 (setenta) pessoas, sendo duas caçambas e um ônibus da empresa Cattani, um taxi e um caminhão, por um erro humano mergulhou nas águas profundas e violentas do Rio Iguaçu, vitimando 40 (quarenta) pessoas, dada pelas fortes correntezas e agravada pela escuridão da noite. Eu e minha esposa Zelina, estávamos naquela quarta-feira do dia 19 de setembro entregando carteiras de saúde para os funcionários da Empreiteira Andrade e Gutierrez, nas proximidades do acidente, pois éramos funcionários da saúde de Quedas do Iguaçu, documento este prioritários na contratação de pessoal. Até então tudo parecia normal, homens trabalhando, alguns rindo das piadas contadas pelos amigos, a natureza seguia o ritmo no equilíbrio harmonioso da natureza.
Entre gritos desesperados essa tranqüilidade se quebrou, a balsa que fazia a travessia de pessoas de um lado para outro do rio Iguaçu havia afundado.
Pessoas corriam de um lado para outro sem saber o que realmente tinha acontecido, a notícia que corria entre as pessoas era alarmantes.
Eu e a Zelina estávamos a uns oito quilômetros do local do acidente, rapidamente nos dirigimos para lá, levando na carroceria da picap algumas pessoas. Chegando ao local do acidente vimos que era grande a tragédia, já havia vários corpos retirados das águas sem vida, retirados pelos sobreviventes amparados por pessoas que vieram atraídos pela tragédia.
Aos poucos iam se aglomerando gente nas barrancas do rio vindo de todos os lados, a maioria parentes e amigos das vitimas, era grande o desespero e a agonia dos que procuravam pelos parentes, a cada corpo retirado das águas, era um corre-corre, tentando identificá-los, alivio para alguns e tristezas para outros.
Eu e a Zelina ficamos muito tempo no local, prestando assistência psicológica aos parentes dos mortos e feridos atordoados pelo acidente no meio da escuridão da noite, pois o relógio marcava 20 horas quando aconteceu a tragédia naquela triste quarta-feira de 19 de setembro de 1973.
Segundo os informantes a balsa carregada de veículos e pessoas estava com Pech acima do limite, permitido, por um dos responsáveis da balsa, pediu para um dos motoristas para embarcar seu caminhão, e frear bruscamente os pneus sobre as pranchas da balsa, com objetivo da proa soltar-se da margem do rio.
Um erro de calculo fez a balsa inclinar demasiadamente, baixando a proa e deslizando todos os veículos e pessoas que se encontravam na embarcação as quais em pânico, foram empurradas pelos veículos, afundaram-se nas águas do rio que eram violentas não permitiam facilmente a salvação das pessoas somente os bons nadadores conseguiam salvar-se.
Capacete, bonés e chapéu boiavam sobre as águas, pareciam querer encontrar seus donos, o encontro era inevitável quando braçadas e cuspidas da água saiam da garganta das pessoas tentando desesperadamente atingir alguns obstáculos que lhe desse segurança, muitos no desespero de se salvar agarravam-se aos outros levando os também para a morte.
Eu e a Zelina voltamos para a cidade de Quedas do Iguaçu, quando chegávamos à cidade, havia uma comissão de pessoas lideradas pelo prefeito na época Pedro Alcides Giraldi, para dar assistência no resgate dos desaparecidos do acidente, e ajudar no que fosse possível, as vitimas e os parentes.
Vários caixões foram transportados para o local, pois entre os mortos, feridos havia muitos cujos familiares eram de Quedas do Iguaçu.
No local do acidente estava instalado um gigante guindaste de 65 toneladas, que fez o resgate de todos os veículos, balsa, lancha que se encontravam no fundo do rio.
Também homens rãs foram chamados para retirar os corpos, grande multidão observava o resgate nos dois lados do rio Iguaçu, sendo do lado do Cruzeiro na época distrito de Dois Visinhos, a maior concentração de gente, pois a maioria das vitimas morava naquela região, o senhor Generoso da Silva santo, quando motorista da Solidor, ao atravessar o rio Iguaçu dirigindo o caminhão da empresa Solidor, teve um grande susto, a barca que fazia a travessia transportando o seu caminhão carregado de madeiras repentinamente provocados pela turbulência das águas do rio Iguaçu, deixou os seus tripulantes em estado de pânico, ao arrebentar o cabo de aço que conduzia a embarcação, o esforço e a coragem de alguns dos tripulantes puxaram a balsa pelos cabos que margeavam a embarcação até o seu destino.
Não demorou muito tempo aconteceu à grande tragédia que vitimou as dezenas de pessoas.
O senhor Claudino Luis Dalbosco, morador há 40 anos em Quedas do Iguaçu, era proprietário de uma funerária na ocasião que ocorreu o acidente da balsa a Copel na época era a proprietária da Usina Salto Osório, com a morte de trinta funcionários da Usina a empresa deu total assistência inclusive a confecção dos caixões, o senhor Claudino foi o responsável do fornecimento dos funerais, ocasião triste também para ele de ver tanto sofrimento e dor. No dia 23 de outubro de 2004 o senhor Claudino me concedeu essa entrevista, e neste mesmo dia o senhor Claudino completou 82 anos.
Eu e a Zelinda e varias pessoas como, por exemplo, o senhor Arlindo Cirico com seus companheiros Alesio Lusitani e Darci Cence os dois últimos já falecidos presenciavam o resgate dos corpos, e presenciavam os relatos dos sobreviventes ainda em estado de choque, diziam os sobreviventes que quando estavam nadando para se salvar do acidente, passaram por vários corpos, muitos esmagados sobre as pedras ou imprensados entre os veículos.
Muitos corpos foram encontrados há vários dias apos o acidente, distante do local da tragédia, um dos mortos foi o jovem Jeremias Nunes Cabral, que só foi encontrado 6 (seis) dias após o acidente, deixou viúva a jovem senhora Diva Cabral, eles não tinham filhos eram recém casados. Assim foram vários corpos encontrados apos vários dias a quilômetros abaixo do rio.
O numero exato não sabemos só se sabe que funcionários da Represa foram 30(trinta) mortos. Esta tragédia abalou Quedas do Iguaçu e Cruzeiro do Iguaçu na época distrito de Dois vizinhos, hoje Cruzeiro do Iguaçu (município).
Até hoje os familiares não se esqueceram desta tragédia, e o povo que tomou conhecimento também lembram com tristeza.















2 comentários:

  1. meu pai amado me lembro que minha mãe e meu avo contava para mim esta tragedia eles eram morador de cruzeiro do iguaçu minha mãe contou para mim que eu tinha um ano de idade quando aconteceu tudo isso achei que nunca iria encontrar aqui arquivo este acontecimentos .obrigado a você que editou tudo isso valeu.

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  2. Jeremias Nunes Cabral era meu primo, e eu na época tinha cinco anos e me lembro vagamente da tragedia.

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